É com muita pena que leio as notícias sobre os portugueses sem trabalho que dormem nas ruas de Londres.
É com muita pena que vejo o meu país afundar-se num mar de situações insólitas, grande taxa de desemprego, poucas perspectivas para os jovens (sobretudo no interior) e por isso tudo ... é como muita pena que assisto ao crescente delírio sobre os mitos de procurar a vida no estrangeiro.
Parece contraditório, porque estou no estrangeiro, mas a verdade é que não é. Mesmo aconselhando a que outros procurem esta hipótese nunca deixo de dizer que há que fazê-lo com grande dose de REALISMO, e isto é coisa que muitos portugueses não têm. Confundimos realismo com pessimismo. Ao pensarmos que tudo é mau achamos que nos preparamos melhor para a realidade, ao ter sempre uma reclamação preparada achamos que nada nos pode surpreender, por precaução pensamos o pior e se algo acontecer de bom é lucro, mas no fundo, habituados a uma mente negativa e baixa nos seus pensamentos, algo de bom só serve para desconfiar. Outras vezes confundimos optimismo com delírio sonhador "vou ganhar o euromilhões" ... Isso não é ser optimista,não é ver o lado melhor das coisas, isso é acreditar numa mentira. Ser optimista é ponderar o que pode acontecer e trabalhar para que a hipótese melhor, das possíveis existentes, aconteça. Ser optimista não é pensar no sol de Portugal e sorrir quando nos obrigam a pagar 200€ de segurança social, quando recebemos 260€."Deixa... temos tantas coisas boas... o pastel de nata, não me vou chatear com isto, melhores dias virão!" Isto não é ser optimista!Então, entre ideias cruzadas entre como melhor observar a realidade acabamos por ter estes momentos de confusão em que a nossa única planificação para ir viver num país diferente é: "Vai correr tudo bem!"
Entenda-se que eu acredito ser importante ter pensamentos positivos, mas faz falta mais do que apenas isso!
O "estrangeiro" não é aquele sítio onde todos vamos ser felizes... o "lá fora" é apenas um sítio! Aquilo que o vai habitar somos nós, a bagagem interior que levamos, as nossas crenças, os nossos valores a nossa formação, os nossos hobbies. Até podemos estar dispostos a trabalhar em coisas que não nos exijam tanto como aquilo para que estudamos, mas pensar que a capacidade de recrutamento para as limpezas é infinita nos outros países é um grande engano!O mundo está em crise, a Globalização traduz-se também na globalização da crise, da crise de valores, da crise interior que muitos de nós vivemos. Há que estar atento a isso e sair do país com calma, com atenção. Estamos dispostos a aceitar novos desafios, a viver com a negação de alguns sonhos, com a dificuldade de estar à margem, pelo menos durante os tempos de integração, estamos a considerar todas as contrapartidas...?!
Entre muitas outras questões obrigatórias para quando vamos mudar assim tanto.
Também com preocupações a este nível o Expresso Emprego escreve uma reportagem sobre os cuidados a ter com as aventuras além fronteiras, mostrando de modo sensato "O que tem que saber se quer emigrar.
Este post é para encorajar a pensar, não para desencorajar a viagem. No amor e nos relacionamentos sempre achei muito tonta aquela atitude "não vou envolver-me com ninguém para não me magoar" é impossível estar fora da vida, quando vivemos estamos expostos, quando amamos estamos expostos a tudo o que nos pode acontecer. Podemos sempre sair magoados, mas isso nem importa porque teremos sempre uma série de coisas boas que nos poderão acalmar essa dor.
Como no amor, sair do porto seguro significa um mergulho desconhecido que eu acho que devemos dar. Mas para não observá-lo apenas como algo que nos magoou, para conseguir tirar algo de bom devemos ter a coragem de o considerar em todas as suas dimensões antes de mergulhar!
Mapa Lotta Nieminen

Lindo...continuas a escrever muito bem...
ResponderEliminarMuito Obrigada! :)
ResponderEliminarUm vestido destes dava-me jeito para as viagens, escusava de levar mapas.
ResponderEliminarTia