Há um ano escrevia o meu
último neste blog e cortava também a comunicação com muitos dos meus amigos e
familiares. Nesses tempos, o meu mundo caiu ao chão e desfez-se em mil
bocadinhos, difíceis de voltar a montar! Naquela que devia ser uma altura de
alegria e excitação, por estar a começar um mestrado tão interessante, o meu
coração partiu-se e tudo me parecia cinzento. Quando escrevi o último post
percebi que teria que me isolar por uns tempos porque todas as minhas palavras
caminhavam no sentido da tristeza que me abraçava e me fazia chorar todas as
noites. Tinha perdido um grande amor, ele era agora mais feliz sem mim e isso
doía-me muito. Foi para nós: o fim de uma relação, para mim: um desgosto de
amor.
Perdi entretanto, com
tanto isolamento, alguns amigos que se sentiram abandonados e esquecidos pela
minha reclusão, mas outros ficaram e não se importaram com a distância. Outros
ajudaram ouvindo e caminhando comigo todos os dias, não permitindo que
estivesse sempre no quarto. Desabafava numa língua irmã enquanto caminhava com
amigos que não se importaram de ser completos desde o princípio. A escola foi
saindo bem, ao longo do ano cada vez melhor, com a ajuda de alguns colegas e
dos professores, muito compreensivos, muito humanos no seu papel. E, apesar de
tudo, sou muito feliz por ter tido esta oportunidade e por ter entrado nesta
aventura.
Como qualquer fase má, o
olhar lá para o fundo e ver tudo o que já passou, é muito bom. Vivo os dias com
leveza e com o alívio de quem chorou todos os males que lhe viveram no peito
durante meses. E como tudo se apresentava diferente, aceitei fazer e tentar
coisas novas e mudar a “minha maneira”. Por isso este vai ser o ano em que ao
mudar-me para Aalborg, mudei mais que isso e o meu universo interior cresceu
várias vias lácteas. Fiz amigos improváveis e experimentei cem dias a observar
pequenas coisas que me faziam feliz, percebendo assim que cem dias não só
passam muito rápido, como contêm muito mais do que cem possibilidades de ser
feliz e, por isso mesmo, quando estamos em baixo (como estive bastantes vezes
nesses cem dias) as coisas parecem um pouco mais leves, mais fáceis de levar.
O Verão foi passado até
agora a trabalhar em Copenhaga, estando com amigos e visitando lugares que
adoro e conhecendo outros que me fazem crescer esta alegria que sinto em Copenhaga.
Ontem, por exemplo, no delicioso café que fui com a minha grande amiga, era
proibido usar o computador, relembrando-nos de que antes usávamos os cafés para
socializar e foi como voltar aos 90 e encontrar-me com uma amiga nos tempos de
faculdade. Ou, por exemplo passear pela cidade e encontrar coisas inusitadas... :-)
Hoje (agora) estou a ir
para Lisboa. (Sim, outra vez!) Vou regressar aos meus anos 90, vou regressar a
casa de um outro modo. Desta vez é para
ficar durante 5 meses numa condição muito especial, estudando num programa
internacional e com data marcada para voltar a casa. Chegarei com as memórias
de aí ter vivo há 14 anos atrás e poderei passear pelas suas ruas de novo, com
as pessoas que conheci lá fora e com uns olhos novos, mais crescidos, que falam
mais línguas, que vêm mais cores.
Entretanto ficaram para
trás várias viagens, interiores, exteriores, gigantescas. As principais foram
depois de Lincoln, Aalborg (onde tinha um bocadinho de Copenhaga de vez em
quando e uma pitada de Aarhus também), depois Paris e o verão em Copenhaga e
uma das maiores de todos os #100happydays. Este post (re)abre este espaço e de todo o coração brinda à mudança!
Uma das [muitas] vezes que mudei de casa tive que usar este modo criativo de transportar as coisas!




