terça-feira, 9 de setembro de 2014

Lisboa, Lisboa ... mais uma voltinha no carrocel da alegria!


Há um ano escrevia o meu último neste blog e cortava também a comunicação com muitos dos meus amigos e familiares. Nesses tempos, o meu mundo caiu ao chão e desfez-se em mil bocadinhos, difíceis de voltar a montar! Naquela que devia ser uma altura de alegria e excitação, por estar a começar um mestrado tão interessante, o meu coração partiu-se e tudo me parecia cinzento. Quando escrevi o último post percebi que teria que me isolar por uns tempos porque todas as minhas palavras caminhavam no sentido da tristeza que me abraçava e me fazia chorar todas as noites. Tinha perdido um grande amor, ele era agora mais feliz sem mim e isso doía-me muito. Foi para nós: o fim de uma relação, para mim: um desgosto de amor.

Perdi entretanto, com tanto isolamento, alguns amigos que se sentiram abandonados e esquecidos pela minha reclusão, mas outros ficaram e não se importaram com a distância. Outros ajudaram ouvindo e caminhando comigo todos os dias, não permitindo que estivesse sempre no quarto. Desabafava numa língua irmã enquanto caminhava com amigos que não se importaram de ser completos desde o princípio. A escola foi saindo bem, ao longo do ano cada vez melhor, com a ajuda de alguns colegas e dos professores, muito compreensivos, muito humanos no seu papel. E, apesar de tudo, sou muito feliz por ter tido esta oportunidade e por ter entrado nesta aventura.

Como qualquer fase má, o olhar lá para o fundo e ver tudo o que já passou, é muito bom. Vivo os dias com leveza e com o alívio de quem chorou todos os males que lhe viveram no peito durante meses. E como tudo se apresentava diferente, aceitei fazer e tentar coisas novas e mudar a “minha maneira”. Por isso este vai ser o ano em que ao mudar-me para Aalborg, mudei mais que isso e o meu universo interior cresceu várias vias lácteas. Fiz amigos improváveis e experimentei cem dias a observar pequenas coisas que me faziam feliz, percebendo assim que cem dias não só passam muito rápido, como contêm muito mais do que cem possibilidades de ser feliz e, por isso mesmo, quando estamos em baixo (como estive bastantes vezes nesses cem dias) as coisas parecem um pouco mais leves, mais fáceis de levar.



O Verão foi passado até agora a trabalhar em Copenhaga, estando com amigos e visitando lugares que adoro e conhecendo outros que me fazem crescer esta alegria que sinto em Copenhaga. Ontem, por exemplo, no delicioso café que fui com a minha grande amiga, era proibido usar o computador, relembrando-nos de que antes usávamos os cafés para socializar e foi como voltar aos 90 e encontrar-me com uma amiga nos tempos de faculdade. Ou, por exemplo passear pela cidade e encontrar coisas inusitadas... :-)




Hoje (agora) estou a ir para Lisboa. (Sim, outra vez!) Vou regressar aos meus anos 90, vou regressar a casa de um outro modo. Desta  vez é para ficar durante 5 meses numa condição muito especial, estudando num programa internacional e com data marcada para voltar a casa. Chegarei com as memórias de aí ter vivo há 14 anos atrás e poderei passear pelas suas ruas de novo, com as pessoas que conheci lá fora e com uns olhos novos, mais crescidos, que falam mais línguas, que vêm mais cores.

Entretanto ficaram para trás várias viagens, interiores, exteriores, gigantescas. As principais foram depois de Lincoln, Aalborg (onde tinha um bocadinho de Copenhaga de vez em quando e uma pitada de Aarhus também), depois Paris e o verão em Copenhaga e uma das maiores de todos os #100happydays. Este post (re)abre este espaço e de todo o coração brinda à mudança! 




Uma das [muitas] vezes que mudei de casa tive que usar este modo criativo de transportar as coisas!