sábado, 4 de fevereiro de 2012

O que nos move?

A mim o que me move é o coração. E não quero com isto dizer que sou uma romântica, não! Nada disso. Quando digo isto não me refiro a que sou aquele tipo de pessoa que procura o outro, para lhe dedicar o amor que jura eterno, e depois, atrás do outro faz tudo, loucuras, aventuras... tudo fora de si, por um amor que lhe é externo, que pertence a alguém que não a ela própria. Quando falo no meu coração, falo na voz que ele tem e naquilo que tem para me dizer... às vezes (muitas vezes) diz-me que estou apaixonada, (e estou) mas não é o outro que me move, é o que o coração me diz que dá a dica e lá vou eu.
Quando estava em Beja percebi que as coisas estavam a ir mal, estavam a começar a fazer o meu coração parar de falar, estavam a parar as borboletas na barriga, estava a ficar presa na rotina, estava a esquecer qual o sentido de cada coisa que fazia no dia a dia.
Mas viver no Alentejo, não deixa ficar indiferente. Viver e sentir a planície tem destas coisas... olhar para o fundo e a cada inspiração conseguir colocar os olhos um pouco mais além, traz isto cá dentro, esta conversa connosco. Ver o céu infinito também não passa indiferente e obriga a reflectir. Lá ao longe naquela linha onde às vezes há quase todas as cores   o que ao Longe nada tinha/ Mais perto abre-se a terra em sons e cores:/E, no desembarcar, há aves, flores,/ Onde era só, de longe, a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis

Da distancia imprecisa, e, com sensiveis

Movimentos da esp'rança e da vontade,

Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte-

Os beijos merecidos da Verdade. 
 (Fernando Pessoa)


Não deixei de gostar do Alentejo, não deixei de ser portuguesa, vir foi apenas um movimento de esperança e de vontade, procurando as formas invisíveis. Que, no fundo todos buscamos. Acredito que para isso, para encontrar o sentido da vida, nos tenhamos que envolver cada vez mais em nós, dedicar-nos às coisas que realmente gostamos, realizar os projectos que queremos, porque afinal depende de nós!
E nem é preciso complicar assim tanto, como dizem as principais dicas de meditação ... basta estar presente e entregar-nos a cada coisa, de corpo, alma, coração ... aquilo que lhe queiram chamar, mas estarmos plenos.

Estes dois amigos (Tae Kitakata and Brittany Powell) dedicam-se precisamente a isso, a projectos de pouco tempo e sem gastar muita energia. :) nos quais se envolvem com tanta alma e criatividade, que nos ajudam a nós, todos aqueles que nos emocionamos com pouco, e gostamos de sorrir!
Um sorriso pode mesmo estar nas coisas mais simples, desde que estejamos dispostos a sorrir!


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