Acontece que estes dias têm sido cheios de coisinhas que me têm trazido alguns desafios interessantes que me trocaram as voltas ao tempo e ao horário já acostumado a uma via pacata!
Sinceramente foi bom, porque as semanas anteriores, como se notava nos textos chorantes já estavam a tocar ao som do fado que não faz muito o meu estilo.
... e mesmo que o fado não faça o meu estilo, mesmo que o drama português de um amor sofrido e impossível, vivido com tanta paixão quanto com dor, não seja aquele com que mais me identifique, devo dizer que aquilo que me fez madrugar e quebrar hoje o silêncio foi precisamente um filme fado, lindo e desconcertante. Confesso que achei o filme demasiado lento na primeira parte, não o suficiente para abandonar a sala (felizmente), mas cansativo, o que me deu menos fôlego para desfrutar da segunda parte absolutamente maravilhosa e linda. Cada pormenor é artístico, cada detalhe é bonito, cada espaço está pensado e tudo está incrivelmente realizado e montado, está lindo. Claro está que os clichés não podem morrer num dia e ser português às vezes é isto, ter saudade... ser assim... melancólico... Por isso o prémio de melhor crítica em Berlim também o comentou por “ser um desses filmes” que leva “irremediavelmente” à melancolia.
Algumas coisas se disseram por aqui ou por ali, mas sem provar não há gosto. Gostei muito.
foto via pesquisa por Tabu Miguel Gomes
Como foi bom ouvir português em surrounding sound system, a expressão "já tenho larica" levou-me a casa por breves segundos, foi uma espécie "de vais buscar mais" à alentejana!








