domingo, 28 de julho de 2013

Summer in the city :)


Mesmo que eu quisesse ter sido regular aqui, neste maravilhoso lugar onde "me" desabafo e escapo em português das aventuras que me ocorrem aqui na Dinamarca, não poderia.... porquê?

Porque é verão na Dinamarca!

Foi preciso chegar um dia pegajoso e de trovejos como este para me sentar e escrever algumas das aventuras que tenho vivido.

Quando começa o verão aqui é quase impossível ficar fechado em casa a fazer seja o que for. Depois de um Inverno prolongado, duro e com menos luz do que todos gostaríamos, a luz e o ar fresco são irresistíveis. Esquecemos a tecnologia e ficamos extasiados com os dias que se prolongam até às 11 da noite.
É claro que também há coisas estranhas como esta montra dos armazéns mais conhecidos da cidade!





Summer in the city?!?! Mostrando com orgulho as gabardines e chapéus de chuva da estação?!?!
Isto para nós é estranho porque para nós chove no Outono/Inverno e aqui é no Verão/Outono. Por isso acaba por ser normal vermos pessoas à chuva com trajes deste tipo ... em que a linda jovem á direita não largou os seus saltos altos e a bela da mini saia!




Mas... depois de alguns pontos baixos eu teria de referir as coisas que me deixam encantada! E espantada!

E apesar das chuvas o Verão é mesmo Verão e tem muitos dias bons de praia e parque! Depois de sair é normal ver as pessoas a ir para praia com os filhos nas bicicletas, ou até mesmo num dos melhores veículos, o porche! ;)



A caminho da praia as banquinhas que vendem comida não têm bolas de berlim ou bolacha americana. Há gelados, é verdade, mas "à porta da praia" é normal venderem ervilhas! Sim - Ervilhas!
A simpática senhora deixou fotografar!





E já que estemos a fazer comentários sobre as coisas estranhas vejamos a que mais me encantou na maravilhosa ilha de Bornholm!
Já tinha ouvido falar sobre esta prática, mas de algum modo achei que nos nossos tempos já não acontecesse mesmo. Quando vi tive que parar e fotografar e voltei a ter uma nova fé nas pessoas! Passo a explicar...

Nas estradas da ilha de Bornholm (e dizem as boas linguas que também as há aqui nas zonas rurais) há umas banquinhas que vendem fruta e vegetais. Até aqui tudo bem!
Os vegetais ou as frutas estão dentro de saquinhos individuais, prontos para levar. Os preços estão em cartazes, normalmente muito bem arranjadinhos, e numa caixa entre os vegetais haverá o sítio onde podemos deixar o dinheiro!

Não há ninguém que receba ou que confirme que os outros não levem o que já lá está! Não há mesmo ninguém! Só a confiança de que alguém vai fazer o que deve!


Na primeira foto foi quando passamos de autocarro umas horas antes, mas depois, quando ia de bicicleta por aquelas paisagens lindas, tive que parar e ver os detalhes! Estava muito vento, por isso a única coisa mudada era a posição do sinal dizendo kartofler (batatas)!






Isto não é interessante?!?!
Adoro!

Para os mais curiosos:


O estudo que fazia  anteriormente era para poder cumprir o requisito final para receber uma bolsa de estudo da Comissão Europeia (EACEA) e ... consegui :)
Nos próximos anos os episódios do Ai Jesus irão ter outros cenários de fundo e uma regularidade menos inconstante. Com um dia específico para escrever os posts e com actualizações constantes por fotos, comprometo-me a ser mais regular aqui.

   * Este tipo de bolsa está disponível a todos os alunos do mundo! Para todos os que perguntaram como se pode concorrer a uma bolsa Erasmus Mundus e quais as disponíveis procurem aqui as possibilidades  - Erasmus Mundus Masters.

sábado, 1 de junho de 2013

Ainda a estudar ... mas com muito balanço!

Não é num dia que as coisas vão mudar muito!

O máximo de movimento que eu encontrei até às 16h30 foi deste tipo...


Foi dia de estar na biblioteca e mergulhar nos livros de cabeça! Mas já que ontem falei nas maravilhas da Dinamarca, aqui vai mais uma... a cadeira de massagem que esta biblioteca tem para podermos relaxar! Adoro! É tão bom poder fazer uma massagem de 15 minutos depois de ter estado 2 horinhas sentado. Além disso tabem temos cadeiras de baloiço e um baloiço para os mais bricalhões! 

Mas tudo tem o seu tempo e quando voltei para casa foi tempo de desfrutar dos prazeres do novo bairro. Na pracinha aqui ao pé de casa, pude relaxar um pouco, e desta vez sim... baloiçar!

... e voltar para casa para um jantarzinho gostoso...


...  :)



sexta-feira, 31 de maio de 2013

Esta Dinamarca ... :)

Bom, é verdade... já há muito tempo que não escrevia, mas isto não quer dizer que não tenha andado a dizer ou a sentir aquele frio na barriga do "Ai Jesus!"

Tenho tido muito trabalho, muitas alegrias e muito estudo. Daí a ausência.

No entanto, muitas são as histórias aqui dentro guardadas para registar aqui, neste canto de memórias, onde posso contar as minhas aventuras aos amigos e família e onde falo convosco. Apesar de este ser lugar onde parece só haver um lado da conversa, é daqui que saltam muitos contactos com quem eu não consigo falar sempre.
E  por falar nisso, descobri que são mais do que amigos e família passam por aqui (e são bem-vindos).
...e como é que eu sei?!

Um dos trabalhos que tenho, em prt-time, é o de receber turistas, entre eles portugueses, e na conversa com um deles acabou por me contar a história de uma rapariga que vive aqui na Dinamarca e tem um blog... e que apesar de estar a aprender há 8 meses tem um nivel de dinamarquês como uma criança de 2 anos!
É engraçado não é :)

Regressando ao regresso, fui o número 10 000 nas bicicletas que passaram no dia hoje pela Rådhuspladsen e pensei, é mesmo hoje  o dia em que vou voltar aqui e deixar uma palavrinha e um beijinho de muitas saudades. Além do mais ontem também me aconteceu uma coisa que me relembrou porque é que eu adoro estar aqui: isto surpreende-me a cada dia!

Estava no supermercado e a fila estava muito maior do que o normal. Estariam cerca de umas 12 pessoas em fila à espera da sua vez. O rapaz que ali trabalha, com os seus 16/17 anos, era novo, e tinha um crachá a  avisar-nos dessa questão e por isso também não podia ajudar a colega na caixa. Então, chega-se ao pé de nós, com umas bolachinhas de chocolate, e oferece-nos as ditas cujas dizendo: "desculpe por estar à espera!"


E agora dizem os que não gostam disto... "pois, pudera,  esse é supermercado mais caro de todos!!!" Pois, por isso mesmo as bolachas que eles nos ofereceram também foram as mais caras! :) E outra coisa, pensem bem no mais caro em Portugal?! Já vos ofereceram bolachas por estar numa fila perfeitamente normal?! A mim não! Fiquei maravilhada!

Depois fui à Universidade de uma amiga, como já tinha ido a outras e voltei a ficar maravilhada... cozinhas, ambiente descontraído, salas de trabalho com bicicletas estáticas para o pessoal descontrair um pouco depois de trabalhar muito. Adoro quando se valoriza a educação!



Um sem fim de coisas boas! :)

O único problema continua a ser o Dinamarquês que cresce numa velocidade muito diferente das crianças. Percebi no entanto, que estes meses todos de dinamarquês intensivo não têm sido em vão. Apesar de não perceber os dinamarqueses, percebi o filme Kon Tiki, todo falado em Norueguês.  Se fosse na música poderiamos dizer que estou uns quantos tons acima... agora só me falta afinar!



domingo, 27 de janeiro de 2013

O meu dina tem dois anos!!!

Este fim de semana foi passado em puro estado de graça... aquilo que consegui atingir na sexta feira deixou-me tão feliz que tudo me parecia fácil, andar até parecia mais fácil... eu flutuei até casa!

Passo a explicar... fui buscar uma menina de 2 anos à escola! Viemos para a casa sempre a conversar e em casa estivemos a brincar um pouco! Isto pode parecer muito normal mas agora vou introduzir o elemento fascinante ...

...  a menina é nascida e criada na cidade dos contos, filha de gerações vikings, uma verdadeira dinamarquesa.

Então pude chegar à brilhante conclusão que o meu nível de dinamarquês fez dois anos na sexta feira!
Ou eu, pelo menos, vivi o dia com todo o entusiasmo dessa celebração!

Estou cá dese 6 janeiro de 2012 quando fez um ano até senti alguma tristeza, precisamente por achar que depois de um ano não tinha conseguido sentir grandes avanços, especialmente na aprendizagem da língua. Nao consigo perceber as notícias, sinto-me perdida em muitas ocasiões... enfim...! Mas sexta percebi que, afinal, desvalorizei aquilo que tenho conseguido aqui. Sempre soube que são expectativas que nos frustam e como eu queria ter sabido tudo por osmose, ao celebrar um ano de estadia, estava triste! Agora percebi que consegui avançar muito, fiz dois anos de expressão oral! Pedi o casaco e ela trouxe-me o casaco, ela pediu para desenhar uma casa grande e eu desenhei uma casa grande... ela queria um coração e eu fiz vários! Percebemo-nos as duas e ao ver os desenhos animados ficamos com as mesmas dúvidas!
Como é bom termos alguém que nos perceba!
Como é bom ter encontrado os meus pares aqui... os meninos de dois anos!

Estou de parabéns!
imagem googlada :)

domingo, 13 de janeiro de 2013

You must unlearn what you have learned

Há amizades improváveis e uniões imprevistas. Já nos mostra a história do cinema e não é preciso muito, nem revirar as nossas mentes, para encontrar exemplos míticos.

As pessoas diferentes juntam-se...

... espécies diferentes fazem pares imbatíveis...

... e quando juntamos amor a esta equação, podemos encontrar os mais estranhos desejos de união...

Talvez por ser uma entusiasta do cinema, tenha sido inspirada pela sétima arte e levada a viver, eu própria, uma união improvável. Muitas vezes, em opiniões fugazes e pouco pensadas atiram-nos com o cliché "os opostos atraem-se". Eu sempre justifiquei com o preconceito "left brain right brain" e isso explicava (mas também justificava) as nossas diferenças.





Mas hoje percebi que, afinal... ,ou eu sou muito geek, ou os geeks são muito mais Zen do que pensam. Afinal de contas as diferenças que nos separam são apenas de cenário, porque no fundo acreditamos todos no mesmo. Uns gostam mais de ver isso com cenário de ficção científica, outros gostam mais de cenários menos elaborados, mas naturais, mas vai dar tudo dar ao mesmo.

Num desafio para 2013 propus-me ver,com o meu amor, todos os episódios de Star Wars, entre outros clássicos da história do cinema. Sentia-me preparada, ao fim de tantos anos, afastada da ficção científica, sem medo nenhum de recusar os horrores dos cenários metálicos e mecânicos, cheio de invenções estapafúrdias .... o facto de viver num país onde não temos família, onde tudo é novo, onde afinal de contas não percebemos nada (ou quase nada) do que se passa à nossa volta, levou-me a aceitar, com mente aberta, ver este novo estilo.

A aparição do mestre Yoda foi para mim acompanhada de vários "Ohh meu Deus, Pelo amor de Deus... a sério?!?" Mas quando o comecei a ouvir, cedi e percebi... as lições que aprendo no yoga ou na meditação... estão todas aqui...

You must unlearn what you have learned. (deves desaprender o que aprendeste)

Esta é a frase do mestre Yoda no Star Wars, quando treina o jovem Luke Skywalker para ser um verdadeiro Jedi. Refere-se aos preconceitos que vamos construindo e por isso não conseguimos realizar o que nos propomos. Depois disto diz ao jovem que ele falha precisamente porque não acredita nas possibilidades, ou no potencial que tem. Também este mestre defende que a maior aprendizagem de todas é a paciência. Quem diria que eu ia encontrar tantos ensinamentos no Star Wars... afinal só temos que desaprender os preconceitos que aprendemos ao longo dos anos.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Era uma vez...

Era uma vez
Uma gata maltez
AT_aguarela s/ papel algodão 2007
Pintava umas coisas
E aprendia dinamarquês
Queres que te conte outra vez?
Era uma vez
Uma gata maltez
Saltou com asas
Não sabe o que fez
Queres que te conte outra vez?
Era uma vez
Uma gata maltez
Pintava umas coisas
E aprendia dinamarquês
Mudou de casa
Mudou-se de vez
Esperava ser feliz antes dos 33!
Queres que te conte outra vez?
Era uma vez
Um galo perchês
E uma gata maltez
Eram dois
Queriam ser três…
Queres que te conte outra vez?

Sem saber como regressar aqui vai uma graça e adaptação da minha história à famosa lenga-lenga do gato maltês que tocava piano e falava francês. 
Muito tempo longe porque o tempo de começar coisas novas é um tempo tão escasso que não permite vir aqui e escrever um pouco... contar aventuras, desta viagem maluca que já fez um ano! 
Neste início de ano desejo que todos os nossos desejos façam de nós pessoas em busca do nosso interior e daquilo que verdadeiramente nos interessa... Bom ano e aqui fica a lenga lenga original ... para se rirem um pouco :)

Era uma vez
Um gato maltês
Tocava piano
E falava francês
Queres que te conte outra vez?
Era uma vez
Um gato maltês
Saltou-te às barbas
Não sei que te fez
Queres que te conte outra vez?
Era uma vez
Um gato maltês
Tocava piano
Falava françês
A dona da casa
Chamava-se Inês
O número da porta era o 33!
Queres que te conte outra vez?
Era uma vez
Uma galinha perchês
E um galo francês
Eram dois
Ficaram três…
Queres que te conte outra vez?



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Não tenho tempo ... é só festas!

Não é desleixo, nem falta de histórias e cansaço... puro e duro.
Já voltei ao dinamarquês intensivo, quatro vezes por semana quatro horas ao dia. É para isso que aqui estou ... mas verdade seja dita, esgota muito.
As conversas no autocarro já deixaram de ser um som pegado, irritante, confuso, com sons estranhos. Agora já oiço palavras, com palavras no meio que eu conheço e mais palavras... que vou começando a distinguir. Ao mesmo tempo que isso acontece o mundo à minha volta começa fazendo mais sentido. É como se aos poucos fosse recuperando a audição num país onde tenho sido surda. Onde tenho vivido com o mesmo handicap que conheci em alunos meus, com quem fiz amizade. Vivi-lhes a vida por uns momentos, calcei os seus sapatos e percebi o que é não poder ouvir! Agora vivo a bênção de estar a começar a recuperar. O esforço é enorme, as idas ao dicionário são infinitas... infinitas mas quem tem esta possibilidade deve aproveita-la.
E há coisas que trazem fôlego, animam a alma.
Fui a Portugal 2 dias e isso alegrou-me muito. Os 10 meses na Dinamarca fizeram mais sentido e percebi melhor que há esforços que valem a pena. :)

Foi a festa do Instituto Politécnico de Beja, escola que me formou e celebrou 33 anos, quase tantos como eu.
Amanhã vou outra vez, a outra festa, e esta ainda melhor! Os 88 anos do meu avô :)
Que alegria!

Aqui fica um cheirinho da festa do Politécnico - 33 anos!

A Minha irmã mais velha a cumprimentar o Presidente do Politécnico - Professor Vito Carioca