No dia 9 de Julho fiz 31 anos (mas atenção.... não parece nada!)
No entanto estava numa situação emocional meio dual, não sabia se havia se havia de rir se chorar, se estar alegre ou triste. Balançavam coisas na minha cabeça e pensava nos tempos de faculdade, quando andei em Belas Artes, nos tempos de Serviço Social... e no que tinha conquistado na profissão, na pesquisa, na investigação e vi que não tinha nada. Aos 31 foi pouco o que consegui até ao momento.
Ao mesmo tempo estes pensamentos iam intercalando com pensamentos sobre o tempo do outro lado da janela. Lá fora chovia, depois fazia sol... a uma temperatura de 15º e pensava em como tudo é diferente agora. Aqui. Quando voltei para casa as pessoas na rua falavam uma língua ainda muito estranha e eu pensava em como tudo é diferente, em como estou a viver um grande desafio!
Então foi assim, andei balançada todo o dia. Mas para que a coisa não desmoronasse já que as lágrimas estiveram todo o dia seguras por um castelo de cartas capaz de cair a qualquer sopro... não estive no telefone,não fui ao facebook e pedi aos meus amigos para não me apresentarem bolos e para não cantarem os Parabéns no dia 9.
É claro que isto teve consequências e algumas delas muito inesperadas!
Assim o primeiro agradabilíssimo abraço foi o das minhas adoradas princesas, J. e C. que me ofereceram estes cupcakes :) que à verdadeira moda dinamarquesa tinham a bela da bandeirola!
E depois foi esta... a minha querida amiga Maria Bonita que se me apresenta no trabalho com dois Agnes Cupcakes gigantes em punho, duas velas no topo de cada um deles e me canta os parabéns em directo com a minha mãe... ambas no seu mais afinado português!
No face e no Skype a quantidade de mensagem era tão grande que ainda não consegui dar resposta.
Enfim... no fundo tive que acabar por agradecer que o universo não me ouvisse e continuasse a enviar-me todas estas mensagens de carinho que ajudaram a passar melhor estes dias, em que penso tanto sobre o ano que se passou. Para mim, a data de aniversário, como balanço, sempre foi mais importante do que o ano novo. é aqui que faço os meus propósitos, que faço o balanço que vejo como aproveitei os 30.
No fundo os meus 30 anos vão ser sempre marcados por esta grande viagem interior que me decidi fazer. Esta mudança de vida, este grito, esta mexidas nas águas e pantanosas da minha existência em Portugal! Em vez de queixar-me aquilo que eu vim fazer foi crescer para voltar renovada e continuar a lutar pelas coisas em que acredito em Portugal. Aquilo em que acredito é simples e até se diz de forma simples em português... "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce"
... mas afinal ..."Senhor, [longo e profundo suspiro] falta cumprir-se Portugal!"
... e para quem gosta... todo o poema
Análise do Poema "O
Infante"
Deus
quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus
quis que a terra fosse toda uma,
Que o
mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a
orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E
viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem
te sagrou criou-te português.
Do mar
e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa








